Colóquio

Ciência, Filosofia e Religião
Que relações?


No passado dia 22 de Março, Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia, esteve na CALAZANS para proferir uma animada palestra sobre Ciência, Filosofia e Religião.
Perante uma plateia repleta e atenta, Anselmo Borges mostrou-nos através da história que as relações entre estas áreas nem sempre foi pacífica, os conflitos foram inúmeros e muitas vezes a guerra foi declarada. A título de exemplo referiu os casos de Galileu e de Darwin. Durante cerca de uma hora, procurou mostrar que na raiz do equívoco, esteve - e ainda está, quando se pensa nos criacionistas americanos, que defendem o ridículo de uma leitura literal da Bíblia - o facto de se não ter percebido que a Bíblia não é um livro de ciência, mas de carácter religioso. Nesse aspecto, Galileu foi mais avisado do que os seus censores: a Bíblia não diz "come va il cielo, ma come si va in cielo", pois não é um livro de astronomia, mas de religião.
Frisou pois, a importância de compreender cada uma destas esferas e respectivos campos de intervenção como autónomos.
Apesar da acumulação de sucessos gigantescos, a ciência, não pode reivindicar o monopólio da racionalidade, como se fosse a única via de conhecimento verdadeiro. A razão é multidimensional.
O fim dos conflitos entre estas esferas significa que podem e devem dialogar, com vantagens mútuas. É sabido, por exemplo, que o cristianismo, ao desdivinizar o mundo, pela fé bíblica na criação, abriu espaço à investigação científica livre. Por outro lado, também a partir da lição que ela própria teve de aprender, a teologia prevenirá para o perigo de imperialismo da ciência.
A religião tem de colocar-se no seu domínio próprio e saber claramente que não pode contradizer a ciência e a experiência religiosa tem um carácter "verificável-plausível": a fé não pode ser cega nem irracional e tem de dar razões, que convencerão uns e não outros, mas são razões publicamente argumentáveis.
A teologia está atenta aos avanços da ciência e respeita a sua autonomia, que a impede de utilizações apologéticas indevidas. Não esqueçamos que também os cientistas são seres humanos e, por isso mesmo, colocam inevitavelmente perguntas que transcendem o domínio da ciência: qual a origem última do mundo, o seu fundamento e o seu sentido? Estas e outras questões de ordem metafísica e religiosa não têm resposta científica, pois, referindo-se ao todo, ultrapassam a capacidade do método científico da verificação empírica.

Após o colóquio, o Dr. Anselmo Borges (como bom mestre que é), colocou-se então ao dispor, para prontamente responder a algumas questões e esclarecer dúvidas. No final, agradeceu o convite ao Grupo de Filosofia e congratulou-o pela inciativa.
  
Por: Sofia Fazendeiro

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