“Avenida Marginal”
Foi num ambiente caloroso e intimista que no passado dia 30 de novembro, na Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte, o professor Jorge Alves, de quem já conhecíamos dois livros de poesia, nos surpreendeu com o seu primeiro romance, “Avenida Marginal”.
A Mediateca, de cuja equipa o autor faz parte há largos anos, foi o espaço escolhido para esta apresentação. Coube por isso ao Professor-Bibliotecário, António Santos, acolher os convidados, congratulando-se por ver neste espaço tantos amigos. O Diretor, professor Cesário Silva, associando-se a este evento, partilhou com o público memórias que, ao longo dos anos, cimentaram a sua amizade com o autor e enalteceu o trabalho que o este tem desenvolvido na escola, sobretudo nos cursos noturnos e de adultos. Por sua vez, Luís Pires, da Chiado Editora, fez a apresentação da sua editora, “a mais importante no que diz respeito à publicação de autores contemporâneos” segundo as suas palavras, referindo-se também ao facto de estar num ambicioso processo de internacionalização, tendo, por fim, felicitado o autor, augurando-lhe futuros êxitos. O convidado especial para fazer a apresentação da obra, o poeta David Teles Ferreira, através da leitura de pequenos excertos, foi desvendando um pouco da história deste romance que, na sua opinião, é mais o romance de um poeta do que de um romancista, integrando-o, contudo, numa tradição neorrealista que, conforme afirmou, enriqueceu e renovou, podendo-se mesmo dizer que encetou uma nova corrente literária: o “neo-neorrealismo”. A partir de um facto verídico, o atropelamento de três crianças invisuais que frequentavam o mesmo colégio que o autor, o Instituto de Cegos Branco Rodrigues, é traçado o percurso de Portugal nos últimos 30 anos, finalizando David Teles Ferreira por dizer, que todos os jovens deveriam ler este livro, pois, ficariam com uma noção muito mais completa da História recente de Portugal. No final, Jorge Alves assumiu que este romance é também uma homenagem aos seus colegas e a todos quantos conviveram consigo no Instituto Branco Rodrigues, no qual estudou, acrescentando que se envolveu tão intimamente com esta obra, que realizou uma viagem a Quiaios, para conhecer a terra da personagem principal, que ele próprio havia criado. Por fim, agradecendo a presença de todos, explicou que só neste espaço faria sentido apresentar o seu primeiro livro, uma vez que esta escola tem sido, sempre, e desde há vinte e sete anos, a sua segunda casa.
Este evento contou ainda com a presença de alunos do Curso de Música e do Clube de Poesia que abrilhantaram a sessão com algumas interpretações musicais e com a declamação dos poemas incluídos no livro.
Texto: Helena Pires
Imagem: Luis Santos
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