CALAZANS saiu à rua
Este ano, a viagem foi para a cidade. Depois do pequeno almoço em Óbidos, o programa do passeio levou-nos até ao jardim do Éden, conhecido por jardim dos Budas, uma curiosa montagem de figuras em pedra, umas mais gigantescas que outras, num terreno da Quinta dos Loridos, localizada na Bombarral, alguns quilómetros a sul de Óbidos.
O Jardim da Paz encontra-se situado nos terrenos luxuriosos da Quinta dos Loridos e é um espaço com cerca de 35 hectares, idealizado e concebido pelo Comendador José Berardo, em resposta à destruição dos Budas Gigantes de Bamyan, naquele que foi, um dos maiores actos de barbárie cultural, apagando da memória obras primas, do período tardio da Arte de Gandhara. Em 2001, profundamente chocado -dizem- com a atitude do Governo Talibã, que destruiu intencionalmente monumentos únicos do Património da Humanidade, o Comendador Berardo deu início a mais um dos seus sonhos, a construção deste extenso jardim oriental, prestando assim, de certo modo, homenagem aos colossais Budas esculpidos na rocha do vale de Bamyan, no centro do Afeganistão, e que durante séculos foram referências culturais e espirituais.
Rumámos depois à Lourinhã, ao restaurante Teimoso, já que a noite anterior tinha sido cansativa para alguns e a fome deu a todos.
Depois de umas magníficas entradas de manteiga, azeitonas e pão, foi servido um bacalhau frito a quem devemos as honras de ter puxado pela carroça, que de outro modo não se teria aguentado sem partir o eixo dianteiro. E desta vez o vinho foi de estalo -o professor Semedo pediu para não me esquecer de referenciar a pinga-, tão de estalo que só a magnífica gasosa permitiu diluir os aromas e os sabores que se queriam agarrar à garganta seca pelos budas, dragões e peixes koi.
Para completar a refeição, um lombo de 50/50 do pingo doce, acompanhado por umas ervilhas ainda verdes do bicarbonato.
Após o banquete, com tudo preparado pra voltar ao Buddhas Eden e usufruir dum merecido descanso, mandou-nos o programa para o casino Estoril, para assistir ao "melhor de La Féria". E se os lugares de Plateia não foram os melhores para o assento, valeram pela vista. É que, vistas da fila F, as meninas do Can-Can, magrinhas que faziam gorda qualquer das nossas colegas -algumas acusaram o toque!-, levantavam as saias com um frenesim que mandava até ao nosso lugar o bafo das naftalinas das roupas desencantadas nos baús das avozinhas.
Do espetáculo no casino Estoril, não foi permitido ao fotógrafo recolher provas daquilo que afirma. E pronto. Com os cinco euros poupados nos bilhetes da Plateia, teremos ainda um porco assado no espeto, de que ficamos à espera.
Por: Fernando Jorge
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