Abandono (con)sentido
Por não ter condições de saúde para estar sozinha em casa à noite (porque durante o dia já havia uma pessoa que olhasse por ela), a minha sogra foi colocada num lar de idosos em Fevereiro de 2010. A minha esposa (filha), vai visitá-la duas vezes por semana. Como a minha esposa não tem licença de condução, sou sempre eu que a levo. E, claro, entro lá no lar com ela e, digo com franqueza, que não gosto de lá entrar, porque o ambiente no seu interior é bastante confrangedor. Fico chocado com algumas situações de «abandono» a que estão sujeitos alguns desses idosos. O abandono a que me refiro é o que é praticado por alguns familiares, principalmente filhos e netos, que muito raramente aparecem, para fazer companhia ao avô ou à avó, que deles cuidou, alimentou e ajudou na sua formação como pessoas.
Aconteceu lá uma situação em que, eu, logo que tive conhecimento, atuei de imediato, para evitar uma tragédia, que esteve na iminência de suceder. Um dos idosos, de nome Tino, quando lá foi colocado, estava numa fase menos boa e foi por isso que os filhos decidiram interná-lo.
Estava lá há poucos dias, quando eu lhe falei. Logo então ele mostrou-me o seu desagrado por estar naquela casa, afastado dos familiares.
Os dias foram passando e, cada vez que eu o abordava, o senhor ia mostrando sentir-se mais incomodado com a situação que estava a viver: os filhos raramente o iam visitar e ele começava a sentir-se cada vez mais doente, não aguentando mais aquela situação.
Um dia desabafou comigo e disse-me, que os filhos para quem tanto tinha trabalhado, já não queriam saber de si. O senhor Tino ia ficando cada vez mais doente, principalmente pela triste sorte de ter ido parar àquele lar.
A certa altura, o senhor Tino manifestou o desejo de pôr termo à vida e chegou dizer-me, que se tivesse ali uma corda, já se teria enforcado.
Perante esta situação, senti a necessidade de intervir de imediato.
Então, optei por ter uma conversa no sentido de o fazer mudar de ideias. Ofereci-me mesmo para ir, de vez em quando, dar uma volta de automóvel, para ele se tranquilizar. Mas ele não se sentia motivado para tal.
Um dia, porém, disse-me, que o filho que o contatava mais por telefone, até esse já não lhe telefonava.
Perante esta triste situação, cheguei à conclusão de que a única alternativa para lhe retirar a grande tristeza em que vivia, era tentar convencer a família a tirá-lo daquele lar.
Então, comecei a incentivá-lo, para que fizesse pressão com a direção do lar, para que se convencessem a entregá-lo à família.
Uma das estratégias que o Sr. Tino usou foi rejeitar muitas vezes as refeições. E nos últimos contatos que teve com o filho disse-lhe que estava a ser mal tratado.
O certo é que esta tática deu resultado e, há uns dias, quando voltei ao lar, perguntei pelo Sr. Tino, tendo-me sido respondido que ele já tinha sido enviado para junto da família.
Perante estes factos, fiquei mais sensibilizado para a situação dos idosos, e achei que tinha tido uma atitude que melhorou a vida e o estado emocional de um ser humano. Aprendi ainda que nunca devemos desistir das nossas convicções, desde que o objetivo final seja fazer os outros felizes.
A vós, jovens estudantes, que vos preparais para enfrentar os desafios do futuro, ganhai amigos com a vossa amizade.
Respeitai os anciãos, a começar pelos vossos familiares mais idosos. Os idosos de hoje, também já foram jovens como vós; também estudaram e trabalharam noutros tempos muito mais difíceis do que hoje, para terem o sustento e vos darem boas condições de vida e saúde.
Por tudo isso, é mais do que merecido o devido respeito que eles vos merecem, que é a maior recompensa porque esperam.
Para concluir, vou afirmar aquilo que é para mim de extrema importância:
Todos os conhecimentos adquiridos nos deixam mais capacitados, tanto para a vida em sociedade como para a vida profissional. Espero e desejo que todos aqueles que adquirem conhecimentos os utilizem, não só para proveito próprio, mas para que, ajudando os outros, contribuam para um mundo mais justo e mais fraterno.
Nunca se esqueçam que, para saberem o que sabem hoje, foram impulsionados pelo trabalho, empenho, dedicação e carinho de muitos formadores. A eles deveis dar o vosso reconhecido agradecimento.
«Serás feliz, na medida em que o fizeres aos outros».
Com amizade de Virgílio Borges
Turma G - EFA
Muitos parabéns Sr. Virgílio, gostei muito da sua história, emocionou-me!
ResponderEliminarFilipa Morgado