Aprendizagem e mudança
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| Lurdes Cordeiro |
Ainda que existam várias formas de aprendizagem, algumas delas com bastante peso no nosso processo contínuo de formação (a escola, a família, os amigos, etc), a vida constitui sem dúvida, a grande escola.
Apesar de não ter uma vida muito longa, tenho já um vasto leque de experiências que têm moldado a minha forma de lidar com a vida e a forma como encaro os outros.
Começo por dizer que nasci e vivi a maior parte da minha vida numa pequena aldeia do interior raiano a quase trezentos km daqui. Num meio pequeno, pouco desenvolvido e com fracos recursos económicos a minha “carreira de aprendente” não foi convenientemente iniciada. Longe das televisões a cores, dos jornais, dos livros, das revistas, o único contacto com aprendizagem formal deu-se com a minha entrada na escola primária.
Ainda que considere que aprendemos desde que nascemos, foi essa entrada na escola, essa aprendizagem formal que me conduziu depois à grande forma de aprendizagem na minha vida, ou seja, a aprendizagem não formal. Sei que parece confuso, mas passo a explicar:
Aquando a minha entrada na escola primária surgiu na minha vida a figura de um professor que marcou para sempre todo o meu processo de aprendizagem. O professor Zé, já com idade avançada dizia-nos que o importante não era o que nos queriam ensinar mas sim o que queríamos aprender. Foi ele que despertou em mim uma enorme curiosidade sobre muitos temas; eu perguntava, ele respondia e muitas vezes me fornecia livros, revistas e jornais. Ele exercia um grande fascínio sobre mim, achava que o professor Zé sabia tudo, que lhe podia perguntar o que quer que fosse que ele, de certeza, teria uma resposta para mim. O professor Zé foi a minha aprendizagem formal, responsável pela minha paixão pelos livros. Ele dizia - me que se quisesse saber alguma coisa teria que procurar livros que falasse desse tema.E isso foi o que passei a fazer.
Desde o tempo da escola primária que os livros são a minha fonte de cultura, de aprendizagem, não sei bem explicar, mas o professor Zé entenderia com certeza. Entretanto surgiu a televisão (a cores ... mas eu só tinha uma a preto e branco!) ,os vídeo - jogos e os computadores com internet. É muito bom pesquisar na internet, facilita-nos a vida, sim concordo! Mas o prazer de folhear um livro, isso sim, é gratificante, é uma sensação fantástica e isso devo-o ao professor Zé.
Apesar de não ter uma vida muito longa, tenho já um vasto leque de experiências que têm moldado a minha forma de lidar com a vida e a forma como encaro os outros.
Começo por dizer que nasci e vivi a maior parte da minha vida numa pequena aldeia do interior raiano a quase trezentos km daqui. Num meio pequeno, pouco desenvolvido e com fracos recursos económicos a minha “carreira de aprendente” não foi convenientemente iniciada. Longe das televisões a cores, dos jornais, dos livros, das revistas, o único contacto com aprendizagem formal deu-se com a minha entrada na escola primária.
Ainda que considere que aprendemos desde que nascemos, foi essa entrada na escola, essa aprendizagem formal que me conduziu depois à grande forma de aprendizagem na minha vida, ou seja, a aprendizagem não formal. Sei que parece confuso, mas passo a explicar:
Aquando a minha entrada na escola primária surgiu na minha vida a figura de um professor que marcou para sempre todo o meu processo de aprendizagem. O professor Zé, já com idade avançada dizia-nos que o importante não era o que nos queriam ensinar mas sim o que queríamos aprender. Foi ele que despertou em mim uma enorme curiosidade sobre muitos temas; eu perguntava, ele respondia e muitas vezes me fornecia livros, revistas e jornais. Ele exercia um grande fascínio sobre mim, achava que o professor Zé sabia tudo, que lhe podia perguntar o que quer que fosse que ele, de certeza, teria uma resposta para mim. O professor Zé foi a minha aprendizagem formal, responsável pela minha paixão pelos livros. Ele dizia - me que se quisesse saber alguma coisa teria que procurar livros que falasse desse tema.E isso foi o que passei a fazer.
Desde o tempo da escola primária que os livros são a minha fonte de cultura, de aprendizagem, não sei bem explicar, mas o professor Zé entenderia com certeza. Entretanto surgiu a televisão (a cores ... mas eu só tinha uma a preto e branco!) ,os vídeo - jogos e os computadores com internet. É muito bom pesquisar na internet, facilita-nos a vida, sim concordo! Mas o prazer de folhear um livro, isso sim, é gratificante, é uma sensação fantástica e isso devo-o ao professor Zé.
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| A turma do professor Zé |
Sendo a aprendizagem um processo natural no decorrer da vida, tudo o que daí advém é, sem dúvida, útil e necessário na resolução de problemas.
Não é só o que aprendemos na escola que conta na hora de tomar decisões ou enfrentar obstáculos. Tudo o que vamos vivendo, tudo o que nos chega por intermédio dos outros, das experiências resultantes do convívio num determinado meio familiar, social e cultural influencia o nosso comportamento e a nossa forma de lidar com os problemas.
Desde cedo, e sobretudo, no meio familiar, aprendemos a respeitar regras, adquirimos hábitos e comportamentos que moldarão a nossa personalidade, que terão uma série influência no futuro do nosso desenvolvimento pessoal (o saber ser).
Ainda que o meio familiar seja o nosso ponto de partida num processo de aprendizagem contínuo, o meio social em que nos inserimos também é responsável por muitas experiências e formas de lidar com a vida. Adquirimos uma cultura, regras de comportamento e socialização que nos permitirão estar perfeitamente enquadrados com o meio social de que fazemos parte (o saber estar).
E na medida destas aprendizagens, tudo na nossa vida estará ligado a elas. Quanto mais aprendermos, quanto mais vasto for o campo das nossas competências e conhecimentos, melhor poderemos ser “encaixados” nos campos pessoal e profissional. Mais facilmente seremos capazes de aprender uma profissão, melhor será a nossa capacidade de adquirir novas competências (saber - saber e aprender a aprender).
Aprender é o grande motor para a nossa autonomia, para a nossa independência. Aprender leva-nos a adquirir novas competências que na vida prática se reflectem em novas oportunidades de trabalho, em novas formas de ver a vida, de estar em sociedade, de lidar com os problemas e de nos vermos a nós próprios.
Para além de tudo isto que nos chega por intermédio dos outros, há também o que aprendemos a fazer, fazendo. Uma série de coisas que, muitas delas, aprendemos quase de forma involuntária ou sem que nos demos conta. O aprender a fazer surge quando somos confrontados com uma tarefa nova, desconhecida até então, profissional ou não. Nesse caso, tendemos a usar todo o nosso leque de conhecimentos, todas as nossas competências para podermos estar à altura do novo desafio que nos é lançado. E mais uma vez, quanto maior for o nosso campo de conhecimento, melhor estaremos preparados para situações inesperadas que possam surgir.
Lurdes Cordeiro
Out. 2010
Out. 2010


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